Missão

Missão:
"Transformar pessoas por meio da participação ativa em seu desenvolvimento educacional, impulsionando a prevenção em todos os processos e potencializando a visão permanente de segurança e saúde como um valor."

terça-feira, 12 de janeiro de 2016


EXAGERO NÃO É PREVENÇÃO: É CUSTO.

 

 

 

Merece atenção o momento que vivemos em relação a prevenção de acidentes em muitas das empresas brasileiras. Um ponto muito importante a ser mencionado e com certeza que carece de análise diz respeito a mudança do comportamento dos profissionais e por conseqüência das empresas que eles representam em relação a emissão de documentos. Se no passado nossa área tinha problemas pela falta de documentos ou mesmo registros nos tempos atuais nota-se que passamos de um extremo ao outro sem nos darmos conta que na verdade o ponto mais interessante seria o meio entre as duas condições. Se antes faltava papel – hoje eles sobram e mais do que isso na grande maioria dos casos servem apenas para alimentar sistemas burocráticos que pouco ou nada agregam valor a prevenção.

 

Em muitas empresas existem hoje listas de solicitações que mais lembram aquelas velhas listas de noivos deixadas em lojas informando os presentes desejados. Na verdade o problema não está na existência das listas mas com certeza no conteúdo que alguma delas tem que em boa parte dos casos demonstra com clareza que quem a definiu o fez copiando de outras empresas sem observar a realidade local. Tais exageros conduzem a uma serie de problemas e geram custos totalmente desnecessários – mostram acima de tudo que certos gestores não conhecem o assunto do qual cuidam ou se conhecem não tiveram tempo ou interesse em analisar com mais critérios as exigências que fazem. Isso tudo mostra uma gestão equivocada – prevenção e exagero jamais foram sinônimos.

 

No mais estas listas geram custos e não é incomum encontrarmos – em um mercado onde boa parte das consultorias não observam qualquer tipo de ética em relação aos seus clientes – prestadores de serviços que pagam muito caro por documentos e mesmo treinamentos que não tem qualquer utilidade real em termos preventivos. E não bastasse isso  nota-se que os documentos solicitados em boa parte das vezes nem chegam a ser analisados pelos contratantes. Isso é muito para nossa área, gera descrédito entre as partes e insere a nossa área no rol das muitas coisas que são feitas por fazer em nosso pais, sem qualquer utilidade prática ou real necessidade e apenas para alimentar sistemas totalmente dispensáveis.

 

Melhor seria que exigíssemos poucos – mas que este pouco fosse de ato observado e utilizado. Melhor ainda que o que é exigido tivesse algum sentido ou utilidade e não fosse apenas uma espécie de cancela simbólica entre a segurança e ausência desta. Muitos de nos da prevenção temos contribuído para que nossa área seja vista como uma área de certidões e papeis – quando na verdade estes não deveriam ser mais do que evidências de práticas serias e saudáveis capazes de contribuir para trabalhos realizados de forma segura e saudável.

 

Sinceramente não creio que estes nossos colegas tenham este tipo de procedimento intencionalmente – antes acho que falta um pouco de análise mais critica, de rever os paradigmas e conceitos e partir na direção de uma prevenção mais verdadeira e real.

 

QUAIS OS REAIS OBJETIVOS DA PREVENÇÃO ?

 

Esta questão  sobre os reais objetivos da prevenção é essencial no planejamento de qualquer atividade em nossa área – até porque se bem compreendida tem a capacidade de afastar de vez os ranços e valores de uma prevenção antiga que não deveria ser mais praticada – e que talvez o seja pela falta de revisão valores entre os profissionais. Infelizmente muito do que é ainda é feito em nome da prevenção pouco ou nada tem haver com o que de fato é necessário para que se obtenha resultados mais verdadeiros.

 

A verdadeira função final  da prevenção dentro de uma empresa é assegurar a continuidade do negocio, assim como também é esta a função de todas as demais áreas de uma empresa. Equivoca-se quem pensa que a função final da manutenção por exemplo e simplesmente co consertar máquinas, assim como quem acredita que a área da qualidade esteja ali  com a função final de garantir qualidade do produto. Entender este ponto é de suma importância para nos que trabalhamos em uma área baseada e cercada por leis – fato este que nos leva a crer que estamos distantes e isentos da preocupação com o negocio e seu destino – sem negocio não tem produção, sem produção não tem trabalho, sem trabalho como podemos fazer segurança no trabalho ?

 

Não estou dizendo com isso que o principal foco de nossa atuação seja a obtenção do lucro – jamais o diria – mas quero afirmar que nossa atuação sendo ética e correta deve ao mesmo tempo ir nesta direção – ate porque não estamos isentos e não excluídos da realidade da gestão empresarial embora poucos  percebam isso.

 

Isso nos remete ao entendimento de que a gestão da prevenção não pode ser um adendo do negocio ou algo a ser tratado de forma excepcional. Alias esta visão contribuiu e segue contribuindo para que as demais áreas não tenham adesão com o assunto. A nos cabe inserir prevenção no contexto e não torna-la um assunto de nossa responsabilidade e o grau desta inserção deve seguir critérios que todas as demais áreas de uma empresa obrigatoriamente  observam tais como planejamento adequado e equilibrado, redução de custos, racionalização de recursos e meios, etc.

 

Quando passamos a entender a função com certeza começamos a notar que exageros nos fazem ser vistos de uma forma um tanto quanto estranha no “ninho” – ao mesmo tempo embora as pessoas de outras áreas de certa forma desconfiem dos exageros – sentem um certo receio devido a associação de nossa área com aspectos legais. E assim as aberrações seguem – com os demais temendo vir em nossa direção por razões citadas anteriormente e nos sem entenderemos que precisamos modernizar e racionalizar, tanto pelo bem da manutenção do negocio como muito especialmente pela busca de uma prevenção mais facilmente compreensível.

 

FALANDO UM POUCO DOS EXAGEROS


 

A primeira coisa que precisa ser dita aqui é que se uma empresa não é boa para prestar serviços não será um monte de papel que a fará melhor – isso é uma certeza. Bem provável que em uma relação destas o colega do SSMT receba em sua mesa os mais lindos programas e documentos que já viu na vida – que pouco tem haver com prevenção e muito nos lembram aquelas antigos trabalhados escolares onde a capa valia mais do que todo conteúdo. Muitos destes programas trarão de cortesia copias inteiras de normas e tudo isso irá com certeza agradar um gestor despreparado e vaidoso.

A boa gestão da prevenção – em empresas que querem afirmar que assim o fazem – começa na possibilidade de que o SESMT participe na definição e emissão do memorial de concorrência e que este saiba não apenas copiar normas ou fazer links com estas – MAS DESCREVA ALI o que é importante, ponha no preto e branco e de forma clara e objetiva quais são as regras do jogo – isso aliás é prevenção – chegar antes de. Importante também que o mesmo SESMT esteja envolvido nos contatos iniciais com as futuras parceiras ou contratadas.

 

O que deve ser exigido será sempre proporcional ao risco da atividade a ser desenvolvida e também a capacidade de análise de quem estará recebendo – fora isso é papel para prevencionista colecionar e mais do que isso – aquilo que pode parecer que diante de um caso de acidente ou doença irá nos isentar e culpa e fica ali bem guardado nas nossas estantes ou gavetas – pode se não for analisado ou entendido – tornar-se algo totalmente contra nossa gestão. Se eu exigi, aceitei – concordei – e tinha discernimento técnico para não o faze-lo – melhor que não o tivesse feito. Se hoje nosso judiciário ainda tem dificuldades para entender de fato as questões de culpa em acidente e doença do trabalho isso com certeza não irá durar para sempre. É importante entender também este ponto.

 

No mais – entre a beleza e a praticidade existe a realidade – que no nosso caso mata, mutila e adoece. Assim há se pensar muito bem quanto a alguns modelos que vem sendo adotados especialmente em grandes empresas – por exemplo de análise preliminar de riscos – que são verdadeiros tratados de nada do ponto de vista prático e quando falamos de trabalhadores que tem dificuldades até mesmo com as Ordens de Serviço mais rudimentares. Quando falamos em prevenção, falamos na verdade de ferramentas capazes de ser úteis as partes expostas e não as gerencias e corpo técnico e não será qualquer surpresa se um dia destes em uma ação por acidente alguém rejeitar os documentos apresentados visto que embora sejam tecnicamente ate embasados para a pratica daquilo que que se destinam pouco ou nada servem. Por aqui há de se dizer que há necessidade de contermos o deslumbramento e nos atermos a praticidade e se para uma vida ser poupada o que interesse em um pedaço de papel de pão e ele é capaz de cumprir sua função – então que seja o papel de pão. Não e a sofisticação que faz uma área ser mais  técnica – são os resultados.

 

Importante também lembrar que qualquer exigência a ser feita deve ter uma razão objetiva e que razões objetivas para serem encontradas necessita que se passe pelo caminho de uma análise a partir de critérios técnicos – distante de afirmações sobre certas tradições, cultura ou coisa do gênero. Isso quer dizer – traduzindo para um português mais claro -  menos crendices e mais conhecimento. Neste ponto não vale coisas tais como faço porque ouvi falar, faço porque em tal lugar se faz e no lugar disso devemos afirmar que fazemos porque há uma razão cientifica ou técnica para que seja feito. E que o ato de adotarmos aquela pratica nos faz agregarmos valor ao negocio e a prevenção. No rol destas coisas – ou práticas infundadas – estão a prescrição exagerada do uso do EPI,  a exigência de diversos exames médicos que pouco ou nada dizem respeito a este ou aquele tipo de trabalho, a realização de integrações que não contribuem de fato para a prevenção, a exigência de documentos sem critérios que assegurem a qualidade dos mesmos, etc. Tudo isso tem em comum o vazio em relação a qualquer tipo de utilidade para as partes envolvidas e alimenta um sub sistema de prestação de serviços que depõem contra a nossa área.. Melhor então exigir o necessário – mas que este necessário seja levado a sério e tenha finalidade.

 

MAIS A LEI PEDE.....

 

Tenho dito e repetido muitas vezes – seja em eventos ou pessoalmente a colegas com que partilho o dia a dia que o bom uso de uma legislação passa necessariamente pela interpretação da mesma e indo um pouco mais longe pelo entendimento da intenção do legislador. Quando digo e repito isso vem sempre a minha mente a idéia de como seria nossa área se as pessoas fizessem isso. Toda legislação tem um objetivo que nem sempre é o seu mero cumprimento puro e simples e por isso precisa de profissionais competentes para fazer esta tradução e transformar aquele conteúdo em práticas. O grande problema e que muita gente sabe ler leis mas pouco sabe sobre praticas.

 

Um bom profissional não decora legislação, entende seu sentido e se vale das normas para amparar/embasar  legalmente seus trabalhos e propostas.

 

Profissionais técnicos vão alem da norma – fazem da norma praticas gerenciais.

 

E mais do que isso diante do emaranhado de exigências – algumas delas até redundantes ate porque são feitas em alguns casos por pessoas que tem visão equivocada sobre o assunto – analisam, escolhem e compõem seu gerenciamento em relação a determinado assunto – algo assim com uma receita própria – definindo ingredientes, quantidades, doses, tempos.....Obviamente o faz de forma consciente e  a partir de convicções e não se joga a aventuras – por exageros ou omissões.

 

Prevenção de acidentes não pode ser tratada como uma confecção em série – como modinha –antes deve ser vista, respeitada e praticada como se fosse uma alfaiataria onde cada solução, para cada empresa ou mesmo as vezes dentro de uma empresa – para cada setor ou área – deve ser desenhada conforme  as necessidades, natureza, composição dos grupo de trabalhadores, etc.

 

O mesmo diz respeito aos famosos sistemas de gestão – que quando imaginávamos que seriam um grande passo na direção de uma prevenção verdadeira – temos visto uma outra realidade totalmente distinta. É preciso que se diga que tudo aquilo que é definido e torna mais complicada a vida e a rotina das pessoas terá proporcionalmente delas um grande esforço para a criação de uma burla bem elaborada. Sistema de gestão que complica tem alguma coisa errada, ate porque a organização de algo se não seguir na direção da racionalização tende ao insucesso. Mudanças tem que melhorar a vida das pessoas e não torna-las pior.

 

Uma coisa é o meu desejo, outra coisa é a possibilidade de executa-lo – e entre estas duas coisas reside o ponto onde pode-se começar uma boa definição para a prática.

 

 

Uma coisa é imaginar que escrever prevenção pode ter algum resultado, outra coisa é esta escrita ser capaz de ser absorvida pela realidade dos que vão executa-la e transformar-se em pratica e propiciar algum resultado.

 

A segurança impositiva pura e simples será sempre um exagero daqueles que imaginam que o trabalhador deixa de ser uma pessoa porque ganha para executar algum tipo de trabalho e passa a ser uma peça que pode ser posicionada da forma que alguns entenderem seja boa e que por isso não tem opinião, não tem escolhas, etc.

 

Será exagero porque custará dinheiro e não trará resultados porque e impraticável visto que inobservou-se  conhecimentos que não são ligados diretamente a técnica mas da parte mais importante para que o processo tenha resultados: o homem. E daí em diante segue-se um desperdício de recursos incalculável tentando através de treinamentos, campanhas e coisas do gênero  por em prática o que é impraticável, transformar em desejo comum o que é vontade de poucos. Um dia a direção da empresa acorda !

 

Em nome da prevenção é bom que façamos uma análise criteriosa do que temos tentando vender como segurança. – estamos lidando com vidas e destinos e isso deve ser levado em conta.

 

 

Cosmo Palasio de Moraes Jr.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016


EM QUE TIPO DE SESMT VOCÊ TRABALHA ?

 

Embora não exista numa norma nem mesmo uma pesquisa oficial sobre o assunto podemos dizer com tranqüilidade que existe pelo menos 5 tipos de SESMT.  E com certeza estes diferentes tipos tem muito haver com o sucesso que as equipes e os profissionais da área alcançam dentro da organização e é uma pena que boa parte das vezes poucos levem isso em consideração

O primeiro tipo de SESMT e aquele que nada sabe sobre o que acontece – porque ouviu dizer em algum momento ou em algum lugar que Segurança e Saúde são problemas da produção e que eles estão ali apenas para fazer “a gestão”. São do tipo que geralmente adoram gerar papel e mais ainda adoram por defeito nos papeis que recebem. Acham que assim estão contribuindo para alguma coisa e de alguma forma quando na verdade há muito deixaram de ser necessários ao sistema e estão ali porque a legislação obriga.

O segundo tipo de SESMT e aquele que fica surpreso quando alguma coisa acontece: Depois de um acidente vão para as reuniões como se fossem apenas mais um dos muitos que devem cobrar resultados dos outros. Pouco ou nada conhecem da área onde os trabalhos ocorrem, pouco ou nada monitoram sobre as práticas de segurança do dia a dia. Estão ali por estar, para dizer que existe um SESMT e nada mais.

O terceiro tipo de SESMT é aquele que só observa o que acontece – sabe de tudo, conhece tudo, se mete em tudo – mas não ajuda em nada. O tempo todo transfere responsabilidades e gera mais problemas do que soluções, age como se fosse um policial do serviço secreto da prevenção, não se indispõe, não se expõe – enfim – apenas olha e nada mais.

O quarto tipo de SESMT é aquele que acha que faz alguma coisa acontecer. Geralmente tem membros cheios de jargões e chavões prevencionistas; correm para um lado e para outro, começam um assunto e não acabam, abrem mil frentes de trabalho e esquecem de concluir uma que seja. Atuam com mais foco no emocional do que no racional. São vistos como trabalhadores esforçados mas via de regra também como grandes chatos porque atuam em pouco em planejamento e esclarecimento. Seguem achando que são os donos do assunto.

 

O quinto tipo de SESMT é aquele que faz acontecer. Dinamico e inteligente atua na direção das soluções deixando de lado a insistência nos problemas. Prepara e planeja a segurança para que os outros façam mas não deixa de agir lado a lado com a consciência de que as coisas não mudam apenas por decreto. Apoia as demais áreas porque sabe que o que interessa para a organização são os resultados finais e não a competição e discussão entre áreas. Treina, prepara pessoas – assim como abre caminhos e define métodos para que elas possam por em prática o que aprenderam. Atua com maturidade porque entende que aquilo que faz é necessário e não apenas obrigatório. Se preocupa com os custos das propostas porque faz parte da direção do negocio e sabe que este cuidado e essencial para a realização. Busca alternativas e as propõe.

Quando olhamos a distância todos os tipos de SESMT podem ser muito parecidos.

Olhando mais de perto vamos ver que na verdade boa parte deles mistura um tipo de um com o outro. De tudo se prestarmos bem atenção veremos que boa parte dos problemas que nossa área tem começam dentro dos SESMT dos quatro primeiros tipos e que mudar isso e mais difícil as vezes do que mudar as demais áreas e pessoas em termos de cultura para a prevenção.

Com certeza fica obvio que se desejamos que nossa área seja melhor reconhecida e que nossas profissões tenham o mesmo tratamento – precisamos trabalhar muito para que estas coisas mudem.

A grande mudança – via de regra – começa em nos mesmos.

 

Cosmo Palasio de Moraes Jr
PREOCUPAÇÃO

Somos uma sociedade com muitos problemas; O Brasil do marketing nem de longe diz respeito ao Brasil real. E só teremos um Brasil real quando nossa gente resolver enfim cuidar do próprio país e não apenas da própria vida.

Para todo lado que se olha se vê problemas; a saúde chega a nos causar desespero - mas para alguns está tudo bem. A Segurança pública é ausente e isso se associa a uma justiça lenta e antiga. A educação no papel vai bem, na realidade....

Fico aqui imaginando como tudo seria melhor se aqueles que se organizam para defender interesses menores mudassem de atitude e pensassem um pouco no coletivo. Menos corporativismo e mais interesses comuns é bom começo.

No caso da Segurança e Saúde no Trabalho a quase total ignorância da sociedade sobre o assunto permite que a situação siga sem grandes melhorias. Alias, a questão da falta de emprego deve chamar a atenção de todos aqueles que lidam com o assunto pois via de regra ela se traduz também na piora a condição já que os trabalhadores acabam ficando sem opções.

Claro que nós não podemos fazer muito, mas isso de forma alguma quer dizer que não possamos fazer NADA, que de uma forma ou e outra usemos a crise como desculpa para precarizar também as nossas ações. Mais do que nunca é tempo para melhorarmos nossa forma de atuar, buscar conhecimentos e possibilidades dentro da criatividade - fazer acontecer.

Não é tempo para desistir, tempo para ser mais um.

Coragem gente !!!

Cosmo Palasio

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sexta-feira, 8 de janeiro de 2016


DDS – A DITADURA DIARIA DE SEGURANÇA

 

 

 

Dizem que a diferença entre o remédio e o veneno e a dose e nenhuma outra frase poderia ser mais útil ao nosso assunto de hoje do que esta. Tal como em qualquer outra atividade também na prevenção o exagero acaba desfigurando as coisas e tornando-as não mais do que uma formalidade. E quem gosta de formalidades ? Quem tem algum prazer ou interesse em fazer bem feito aquilo que vira mera rotina ?

 

A prevenção de acidentes está repleta de exageros. Alguns de nossos gestores desta área estão mais para velhos tios zelosos do que profissionais capazes de analisar e planejar programas e ações com algum critério e lógica e agindo isso não percebem o quanto na verdade prejudicam o desenvolvimento de uma prevenção mais verdadeira.

 

Há exageros por todas as partes, que começam em critérios mal dimensionadas para a integração de contratadas, passam pela exigência de documentos e mais documentos que a maioria das vezes pouco ou nada agregam valor a prevenção e fato e chegam aos exaustivos processos de liberação de serviços onde para se realizar uma tarefa de 15 minutos chega-se a gastar dias em busca de assinaturas e formalidades que ao final pouco ou nada melhoram o que de fato interessa – a realização do trabalho de forma segura. Isso tudo e muito mais demanda uma serie de custos e problemas que fazem com que o sub sistema de segurança dentro das organizações volta e meia seja burlado – primeiro por ser complexo demais, segundo porque ao longo do tempo muitos começam a notar que tudo aquilo pouco ou nada contribui para a prevenção de fato.

 

Mas de tudo vejo com preocupação no que transformaram os programas de Dialogo de Segurança. Em muitas organizações os programas de DDS tornaram-se meras formalidades onde o que importa mesmo são listas e mais listas com assinaturas, sem qualquer critério, planejamento ou preocupação maior com sua real eficácia. Muitas vezes já pude presenciar alguns destes eventos e chega a ser engraçada a postura tanto dos que estão ali obrigadas a ministrar o DDS como também daqueles que se portam como se fossem alunos das velhas escolas – ansiosos para que o diretor termine sua fala para irem para suas atividades.

 

O péssimo uso de uma ferramenta tão interessante fará que ao longo do tempo ela perca totalmente sua finalidade. Primeiro porque faltam critérios quanto a freqüência do mesmo já que por mais que alguém se esforce não existem assuntos para cobrir 20 dias por mês durante o ano todo. Então um bom programa de DDS deveria ser criterioso com um planejamento que previamente levasse em conta a possibilidade de assuntos e dividisse isso na quantidade de dias necessários para manter a informação e conscientização atualizada. Assim, nem todas as áreas deveriam ter a mesma freqüência de DDS.

 

Deveria também levar em conta critérios de padronização para os assuntos, assegurando assim muito mais do que quantidade de eventos – qualidade de informação nos eventos realizados. Já perdi a conta de vezes que vi lideres realizando DDS transmitindo informação incorreta. Nesta mesma linha também levar em conta a necessidade de treinar as pessoas para a realização, já que nem todos tem habilidades natas para este tipo de atividade. Treinar especialmente no sentido de principalmente ouvir, pois boa parte dos DDS de dialogo pouco ou nada tem.

 

De tudo melhorar o uso da ferramenta. Um DDS pode por exemplo ser uma excelente forma de reorientar alguém que não faz uso do equipamento de proteção individual por não ter o desgaste de uma sanção disciplinar mas ao mesmo tempo servir como evidencia de que alguma ação foi tomada diante do fato. Pode também ser um excelente meio para reorientar um trabalhador em um pós incidente/acidente – ou mais ainda – todo um grupo ou equipe na mesma condição.

 

Como sempre digo e repito cada gestão deve ser compatível com a realidade da organização – e mais do que isso – dentro dela pensada e desenhada para cada um dos seus componentes. Não há mais espaço, nem recursos – entre eles tempo e dinheiro – para exageros. E os programas e ferramentas da área de prevenção não podem e nem devem fugir a esta regra básica o que ocorre pelo fato de que muita gente simplesmente copia o que é feito em outra organização sem levar em conta uma serie de fatores.

 

O DDS como mera formalidade além de passar a ser um problema para todos acaba levando uma forma de contato tão importante para o descrédito e para a prevenção isso não é nada bom.

 

E antes de encerrar não podemos deixar de lembrar que via de regra nas organizações não são previstos e menos ainda realizados DDS com a liderança e com os gestores e isso me parece bastante estranho ate porque são pessoas chave para o bom andamento dos programas de segurança. Vale pensar em pelo menos a cada semana, quinzena ou mesmo mês programar um DDS especial para estas pessoas.

 

Repense seu DDS, pois pode estar sendo perdida uma grande oportunidade de falar na prevenção com qualidade e interesse.

 

 

Cosmo Palasio de Moraes Jr.

A PROFICIÊNCIA COMPATIVEL

 

É impressionante como não passa muito tempo sem que surja em nossa área algum assunto ou simplesmente um termo ou palavra que fique anos e anos alimentando debates e discussões que embora até certo ponto sejam necessárias raramente são de fato produtivas.

Mais impressionante ainda é a pobreza com que certos assuntos são tratados e isso se dá boa parte do tempo por haver mais preocupação com corporativismos e reservas de mercado do que com a prevenção propriamente dita. Devemos estar atentos e ter coragem para expressar a visão que temos sobre determinados assuntos - precisamos romper a barreira e certos limites que parecem definir que uns nasceram para falar e outros para ouvir. Nosso primeiro compromisso deve ser sempre com as coisas mais amplas e do interesse coletivo.

A palavra da moda é proficiência e antes de qualquer tratativa sobre ela é preciso que rapidamente dediquemos algum tempo a compreender o porque dela estar inserida em algumas de nossas normas regulamentadoras. É interessante que por mais que sempre afirmemos que nosso país vem se tornando mais moderno muitas vezes a gente se esqueça de que ainda existem certos hábitos e tradições que tentam "amarrar" parte das coisas que por aqui ocorrem. Parte disso ocorre em nome de uma possível certa "garantia de responsabilidade", que  infelizmente raramente é cobrada quando as coisas não dão certo. O que vemos na verdade e na prática são estruturas que mais atendem como clubes aos seus sócios do que a sociedade como um todo - embora onerem essa mesma sociedade. Precisamos aprender e rapidamente com outros países mais modernos a respeitar o conhecimento e todas as possibilidades e benefícios que ele trás para o sistema produtivo e não transformar o mundo do trabalho em particularidade. Valorizar a proficiência é valorizar o conhecimento prático e a sua utilidade em tudo que se aplica e a capacidade de obter os resultados necessários e não apenas cumprir uma formalidade - formalidades não previnem acidentes e doenças o trabalho. Penso, que me fiz entender.

Em qualquer dicionário é possível saber que proficiente é aquele que é capaz de realizar algo por dominar certo assunto  ter aptidão em determinada área do conhecimento. A proficiência valoriza o saber fazer e por isso é de grande utilidade dentro do mundo do trabalho onde a cada dia nos vemos diante de uma realidade estranha de gente - o paradoxo entre a capacidade e a realidade que não mostra resultados.

A Segurança e Saúde no Trabalho brasileira nasceu, cresceu e até hoje em grande parte parece estar definida e limitada a requisitos legais. Como já disse mais de uma vez isso tem um lado bom e ao mesmo tempo tem o terrível lado de achar que SST é apenas cumprimento seja lá do  jeito que for das normas. Pior do que isso, nossa gente adotou como verdade que tudo precisa estar escrito e definido e quando não encontram essas fontes adotam parâmetros de organizações mais famosas (e nem por isso mais seguras) sem levar em consideração a construção de um modelo próprio para essa ou aquela organização. Nossos profissionais agem por cópia  e não por analise e decisão técnica e isso é muito ruim, porque custa as vezes dinheiro gasto sem qualquer necessidade, porque torna o modelo de segurança e saúde pesado e inexeqüível e muito mais do que isso porque fazemos mais para produzir papeis do que de fato fazer prevenção. Área técnica não segue modas - antes - vive de analises e capacidade.

O que vem ocorrendo com a proficiência e bem isso - alguns querem simplesmente que ela seja como eles pensam ou desejam que seja e isso não é bom, isso não é necessário e em muitos casos não agrega um milímetro que seja de valor a prevenção. É preciso que se pense na prevenção como um bem para as organizações e para os trabalhadores.

Adotei e uso nos meus eventos o termo PROFICIÊNCIA COMPATIVEL e isso para mim quer dizer que devemos analisar que tipo de conhecimento e capacidade alguém precisa ter para ensinar ou realizar determinadas atividades. Na minha forma de ver a proficiência e formada pelo SABER FAZER aliado ao SABER ENSINAR - sendo que o saber fazer tem muitas dimensões que vão desde uma instrução simples para uma tarefa simples até a mais complexa das atividades. Para mim o que domina tarefa simples é proficiente para ensiná-la e parte das vezes o faz com a qualidade necessárias e sem exageros. Na prevenção de acidentes interessa muito não tudo que sei mas tudo que conseguimos fazer com os outros saibam.

Penso que devemos adotar a PROFICIENCIA COMPATIVEL - sem simplismos mas com a cabeça aberta para indicar o remédio certo para o problema. Precisamos perder essa mania de achar que o demais e mais - e entender a realidade das nossas organizações e trabalhadores, ensinando o que é preciso e nada mais do que isso.

 

Cosmo Palasio de Moraes Jr.
É impressionante como passam os anos e a gente continua tratando DIREITOS como se fossem coisas negociáveis. E enquanto isso milhares de trabalhadores perdem suas vidas e parece que poucos são que tem noção do "nunca mais".

No Brasil há muitas coisas que são a vista, mas os DIREITOS quase sempre são a prazo.


quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Artigo: A Primeira Instrução é a que fica - Cosmo Palasio

Hoje vamos falar sobre INTEGRAÇÃO. Principalmente tentar dizer as pessoas que integração não é uma formalidade a mais ou simplesmente uma etapa a cumprir cujo objetivo final e principal é a obtenção da assinatura do trabalhador em um documento a mais.

Vale aqui então lembrar o ditado popular que afirma que a “primeira impressão é a que fica” – e na verdade não apenas lembra-lo mas associá-lo a nossa área de trabalho como uma realidade.  Analisando veremos e lembraremos  que em nossas vidas pessoais, nas nossas atividades cotidianas – boa parte do que acontece tem muito haver com o primeiro contato que temos com alguma pessoa, com alguma instituição ou assunto. Se este contato for bom e positivo e bem provável que dali em diante seja estabelecida uma boa relação – ao mesmo tempo – se este contato não for tão positivo – e bem provável que não surja uma relação ou se surgir que não seja mais do que obrigatória e desprazerosa. Obviamente uma das bases que define isso diz respeito também a impressão que temos sobre fatos, lugares e pessoas.

Para a prevenção não ocorre de forma diferente e por isso devamos dedicar muita atenção ao processo de planejar e realizar uma boa integração pois com certeza ela será decisiva para o balizamento da relação dos novos colaboradores com nossa área. 

E tudo isso começa quando entendemos que não podemos nos portar apenas como “caçadores de assinaturas em evidências e registros” – ou seja – ter a compreensão de que quando realizamos uma integração estamos colocando ali o primeiro contato daquelas pessoas com nossa área. Então a integração deveria ser algo assim como um “bem vindo” – obviamente recheado com o conteúdo que precisa ser transferido a quem dela esta participando.

As piores integrações que já tive oportunidade de assistir na minha vida são as feitas por pessoas tipo “aqui mando eu”. Obviamente diante da necessidade do emprego nenhum dos participantes ao menos abre a boca para contestar qualquer uma das cosias dito por aquele ser “super poderoso” que se coloca ali na frente e se dedica a arte do poder – no entanto passado o evento da integração a grande maioria ira reagir – as vezes até de forma inconsciente – as “agressões” recebidas na integração e embora muitos de nossos colegas jamais tenham se dado conta – parte dos problemas que enfrentam no dia a dia do sue trabalho tiveram inicio lá na integração.

Menos problemáticas em termos de relação pessoal mas muito ruins para o contexto da prevenção são as integrações não interativas  - ou seja aquelas onde um filme – mesmo que muito bem feito – tenta fazer as vezes do contato humano. Além de ser totalmente impessoal de certa forma denota que apesar de toda preocupação que tal organização alega ter com o assunto prevenção ela não é suficiente para que algum dos seus representantes tenha em seu planejamento algum tempo para vir falar as pessoas sobre prevenção. Por fim, não permitem qualquer tipo de realimentação quanto ao entendimento ficando aquela impressão – e logo a primeira – de que estamos ali para cumprir tabela ou mera formalidade. Se seu programa de prevenção é importante para a organização e apesar disso não há recursos e tempos para uma boa integração há necessidade de uma revisão critica sobre este assunto.

Enfim muitos são os problemas que vão daquela integração que continua sendo usada hoje tal como foi feita para os navegadores de Cabral quando aqui chegaram e vão até a integração “modernosa” onde tem mais valores os efeitos especiais – e na verdade os recursos do que o conteúdo prevencionista propriamente dito – estas alias podem ate impressionar de forma geral – mas pouco ou nada servem para a prevenção.

De uma forma geral a integração deveria:

1)    Ser resultado de uma boa análise feita pelo profissional de Segurança no Trabalho reconhecendo e listando tudo o que é importante como informação a ser repassada a aqueles que estão chegando a aquela organização.

Obviamente o tempo de duração será proporcional a natureza e quantidade de riscos e perigos – variando de organização para organização.

2)    Integração jamais deve ser vista ou entendida como treinamento – se há necessidade de informação/formação mais detalhada outro evento deve ser marcado para o grupo ou pessoa que dele precisa.

3)    O material e método a ser utilizado devem ser atrativos – no entanto mais serem vistos como mais importantes dos que o conteúdo. Vale lembrar sempre que o objetivo e INFORMAR SOBRE PREVENÇÃO 

4)    A integração é um momento de alta seriedade – mas seriedade jamais quis dizer cara feia ou postura mais rígida. É importante que este momento seja utilizado para que aqueles que ali chegam sintam confiança e canais de dialogo abertos com os responsáveis pois isso levara a uma relação muito interessante e rica no ponto de vista da prevenção.

5)    Sempre que possível que seja feita não apenas pelo profissional de Segurança – mas também pelo gestor da área ou do contrato que desde aquele momento irá expressar seu compromisso de forma publica com o assunto.

6)    O material da integração deve ser atualizado com bastante freqüência evitando que fique defasado e não contemple todos os itens necessários.

7)    A integração não deve ser apenas a leitura do “decálogo das proibições” – ou ainda a “Sessão do Medo”. Prevenção é educação e não contribuímos para isso apenas dizendo o que não deve ser feito – antes devemos explicar o tipo e natureza dos riscos e perigos e levar os colaboradores ao entendimento do mesmo

8)    Por fim, pratique a retro alimentação de forma mais completa, reservando espaço para que a cada item explanado seja possível que pelo menos um dos participantes confirme o entendimento através de uma breve explanação.

Cosmo Palasio de Moraes Jr.

Divulgação e reprodução autorizadas desde que mencionado o autor e a fonte.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Artigo: A Ética começa entre nós - Cosmo Palasio

A busca de uma área de prevenção mais madura e bem definida passa obrigatoriamente pelo entendimento de que nenhuma área técnica pode ser de fato sólida sem que sejam observadas prioritária e rigorosamente as questões éticas que devem norteá-la. 

Nos da área de segurança e medicina do trabalho ao longo dos anos temos enfrentado grandes problemas em relação a este assunto muito especialmente por não haver um código de ética único que abranja todos os profissionais que atuam nesta área e volta e meia nos vemos diante de conflitos que pouco ou nada contribuem para o crescimento e fortalecimento desta área . Infelizmente boa parte destes conflitos são alimentados pela imaturidade do corporativismo menor – ou seja a visão de que o interesse de alguns poucos deva ser vigente sem se pensar ou levar em conta os interesses coletivos ou da sociedade como um todo.

Distantes das questões mais comuns que alimentam tais conflitos e via de regra contribuem para o enfraquecimento da área como um todo e por conseqüência faz com interesses maiores sejam relevados a um segundo plano, gostaríamos de neste texto apresentar alguns pontos sobre uma outra espécie de conflito de origem mais recente mas que com certeza vai de encontro às questões essenciais de nossa área. Na verdade o que desejamos fazer e uma breve mas nem por isso menos importante reflexão sobre as relações entre profissionais de nossa área dentro da relação contratantes e contratadas – algo que cremos venha trilhando determinados caminhos devido à falta de analise mais profunda por parte de alguns profissionais que não entendem que uma das muitas linhas das relações éticas e aquela que liga um profissional ao outro. Como não acreditamos que ética possa ser algo parcial parece-nos importante e porque não dizer essencial refletirmos também sobre este aspecto com a intenção de chamar a atenção para determinadas pratica que embora possam ate ser rotineiras ou  mesmo terem sido incorporadas como vigentes de forma alguma devem ser alimentadas.

E importante dizer já neste momento de nosso raciocínio que analisar qualquer questão a partir apenas do prisma dos paradigmas contribui de forma decisiva para que a evolução – e porque não dizer – para que o processo de melhoria continua – expressão tão usada nos tempos atuais – fique comprometida. Portanto e preciso ir alem do que conseguimos entender ou alcançar de forma confortável e momentânea para visualizarmos o que pode e deve ser melhor, entendendo que o respeito e a base de qualquer relação saudável e a única forma para construirmos uma sociedade mais justa em todos os seus aspectos. Se não e isso que temos hoje de forma alguma devemos acreditar que não e isso que merecemos ter.

VOLTANDO UM POUCO NO TEMPO

A área de prevenção de acidentes tal como conhecemos como área técnica reconhecida e regulamentada e de certa forma bastante jovem. Isso não quer dizer que se trate de uma atividade nova – na verdade ate que se chegasse a regulamentação passamos por todo um processo que certa forma contribuiu para que a área tivesse o formato que hoje conhecemos e praticamos. E desta fase previa trouxemos muitas coisas de boa qualidade e também como seria de esperar muitos vícios e problemas que vez por outra ainda seguem vigentes. Da necessidade de fazer de outros tempos – sem muitos parâmetros ou bases – veio por exemplo a criatividade marca registrada da prevenção brasileira – ao mesmo tempo veio também a falta de padronização de conceitos e formas e muito disso segue ate hoje fazendo com que as idéias e formas adotadas tenham o valor de norma e que passem de gerações para gerações de profissionais. E comum encontrarmos situações onde empresas adotam certos procedimentos que não condizem com que a legislação define e que isso seja tratado com normalidade. Isso faz com que a área não ganhe corpo e mais ainda que os leigos não assimilem que prevenção tem conceitos e bases comuns o que favorece muito o desenvolvimento da área como um todo tanto para os profissionais como especialmente para os usuários – tanto empresários como trabalhadores. E importante que façamos cada vez mais uma grande esforço na direção da padronização evitando os invencionismos e praticando os padrões – obviamente adaptados a realidade de cada local de trabalho e lembrando que os especialistas e a sociedade como um todo ganham pela formação de um todo que torne-se conhecido e possa servir como base para um trabalho consistente e bastante difundido. Prevenção de acidentes e uma área técnica e como tal – para que ela possa ser exercida e principalmente desenvolvida – seus especialistas devem conhecer e aplicar seus preceitos – valendo-se das normas e das técnicas como base para aquilo que pode ser arte – mas não terá qualquer validade técnica se for apenas isso.

Um outro ponto que merece atenção e analise diz respeito a improvisação – que bem sabemos e essencial especialmente num pais onde a falta de recursos e uma realidade. No entanto, mesmo para improvisar temos que levar em conta critérios ate porque não atuamos isolados e menos ainda podemos acreditar que nossas ações não estejam sujeitas a reações e principalmente sanções quando os resultados – por melhores que sejam as intenções – sejam contrários do que os planejados e esperados e por conseqüência causem danos. Assim longe deve ficar o tempo onde os conceitos pessoais estão acima das bases legais e conceituais da área.

Vale lembrar ainda que a prevenção de acidentes no Brasil e uma área de certa forma com bastante regulamentação – que em alguns casos chega a detalhes que na nossa forma de ver passam dos limites que deveriam estar no ponto onde começa a liberdade de gestão das empresas – mas apesar disso muitas empresas e profissionais insistem em criar regras próprias o que certa forma podem contribuir para a prevenção mas a maior parte do tempo desfiguram a área como um todo  geram conflitos entre profissionais. Alias e este o tema central deste texto e e dele que trataremos a seguir.

EU, ELES E NOS

De tudo e antes de mais nada precisamos ter uma certeza; o que deve reger as relações em termos de prevenção de acidentes são as normas e os conceitos técnicos e não os desejos desta ou daquela empresa ou destes ou daqueles profissionais. Assim as relações ficam mais claras, objetivas e éticas. Obviamente as adições e exigências das empresas ou dos seus corpos técnicos tem vez e espaço dentro deste contexto – mas se isso  vier a ocorrer deve ser seguido de meios para que possam ser entendidos pelos demais profissionais. Isso na pratica quer dizer por exemplo que se a empresa onde você atua entende por bem exigir que um PPRA – que na NR 9 define-se claramente que abrange apenas riscos físicos, químicos e biológicos – deve também contemplar riscos ergonômicos e de acidentes – tal adição deve ser claramente expressa em memoriais, contratos, manuais ou qualquer outro meio que permita aos demais profissionais conhecerem suas exigências. O que não pode ocorrer e que as exigências existam e os profissionais não as conheçam e em razão disso trabalhos feitos por estes profissionais – trabalhos que com atendem a legislação – sejam devolvidos como se fossem incorretos ou incompletos, gerando desconforto e problemas aos colegas. Em uma área técnica – volto a repetir – as praticas são baseadas no vigente e conhecido e não nas exceções. Portanto, em respeito ao trabalho dos demais profissionais tenha clareza nas solicitações – agindo com os demais com a mesma lisura com se espera ser tratado.

Como dizemos neste texto em parte anterior e importante ter consciência de que o que norteia a elaboração de trabalhos em nossa tem por base o que poderíamos denominar aqui de conhecimento universal e qualquer coisa que fuja disso merece pelo menos uma orientação previa e sempre que possível – já que estamos falando da relação entre profissionais de uma mesma área – apoiada pelo dialogo com justificativas plausíveis – conduzindo a relação para o campo do respeito e ética – deixando longe afirmativas grosseiras tipo E ASSIM PORQUE EU QUERO QUE SEJA, AQUI MANDO EU, ETC. Atitudes deste tipo alem de demonstrarem a falta de estrutura do profissional deixam claras evidencias da falta de conhecimento típica dos que evitam o dialogo técnico e que agem assim muitas vezes perdem imensas oportunidades para melhorarem seus sistemas e por conseqüência seguem onerando as empresas nas quais atuam e contribuindo para que a prevenção seja ruim e as vezes exagerada.

Essencial também entender que independente da posição que se ocupe ou do lado da relação em que se esteja – antes de mais nada – todos são profissionais – verdade que alguns com melhor formação, com mais ou menos experiência – mas em comum todos merecem e devem ser respeitados levando em conta as praticas e costumes da boa educação. Um profissional que não respeita o outro certamente não entendeu ainda que a construção de uma área técnica passa pelo reconhecimento primeiro entre os iguais ou similares. Agir com rigor não quer dizer que se pode agir com indiferença ou de forma desrespeitosa, cumprir objetivos não quer dizer que esta permitido passar por cima de outras pessoas – de forma alguma não so na área de prevenção mas em qualquer relação entre pessoas ou partes podemos tomar como base a idéia que os fins justificam os meios.

Não importa de que lado da mesa você esta (ate porque não se sabe por quanto tempo ali você estará) importa a consciência profissional e ética em relação ao colega prevencionista. Não importa que naquela ocasião você seja o especialista da contratante ou da fiscalizadora – importa que e o respeito devido ao colega de área esta acima de qualquer situação ou relação.

Estas palavras valem muito especialmente para certos colegas nossos que se julgam donos absolutos da verdade e mal notam que parte dos grandes problemas que tem em suas gestões fogem a qualquer analise formal  possível porque estão contidas na arrogância com que gerenciam. Por sua forma de ser inviabilizam relações construtivas e importantes para uma área onde a renovação e reavaliação de praticas e conceitos e essencial para que verdadeiros elefantes brancos tornem-se melhores. Vale aqui perguntar se um profissional que não respeita outro profissional tem a capacidade de respeitar os demais trabalhadores com os quais não tem qualquer tipo de vinculo mais direto.

Nos – profissionais da prevenção – que em algumas oportunidades temos sido críticos em relação as condições de trabalho das terceirizações talvez esqueçamos que quando se trata da relação primeiro-terceiro dentro de nossa própria área esta precariedade pode não ser igual a que vemos nas condições do chão de fabrica ou piso de obra – mas podem trazer dissimuladas agentes agressivos mais sutis. Talvez fosse de grande utilidade estender de forma ampliada a idéia que o trabalho do prevencionista terceirizado não e igual ao nosso ate pelas questões próprias deste tipo de trabalho, que se no nosso dia a dia encontramos dificuldades apesar das relações mais estáveis da nossa realidade – não e difícil imaginar o que vivencia um colega que faz a mesma atividade em condições via de regra mais desfavoráveis. Se desejamos que esta relação tenha frutos melhores comecemos então pelo apoio ao trabalho e não tenhamos a postura de meros censores ou fiscalizadores – já que tal postura não auxilia em nada o desenvolvimento da prevenção. Tenhamos também um comportamento sensato que nos permita entender que atuando em empresas de grande porte ou que ao menos apóiem de alguma forma seus SESMT – estamos sempre diante de oportunidades de atualização, freqüentamos grupos de trabalho e eventos profissionais – o que de certa forma nos permite a possibilidade de conhecermos e praticarmos uma prevenção mais avançada – mas que não e esta a realidade da imensa maioria dos prevencionistas. Muitos dirão que empresas não são escolas e que por isso querem ali o que há de melhor em termos de profissionais – certamente não pensavam assim quando buscavam suas primeiras oportunidades: alem de anti éticos são esquecidos.

Poderiam ser muito prazerosas, construtivas e úteis relações entre SESMT – houvesse respeito e maturidade. Todos ganharíamos se os que sabem ao invés de posicionarem de forma arrogante e distante – se propusessem a coerência com o discurso que afirma que acima de tudo prevenção e um processo educativo – tambem entre profissionais.

O DIA A DIA DO DESRESPEITO

Em tempos onde ganha forca as questões relativas ao assedio moral e psicológico e importante que não vejamos isso como uma possibilidade apenas entre chefias e subordinados – antes disso como uma triste realidade entre profissionais de uma mesma área as vezes apenas com diferenças nas graduações. Se achamos absurdo que um chefe chame um subordinado de burro, como podemos achar normal que um colega diga ao outro que o trabalho que ele apresentou e um lixo ‘’ Não queremos dizer aqui que o simples fato de um trabalho ter sido feito por um especialista torne obrigatório que ele seja aceito – isso seria irreal. No entanto, o não aceitar deve ocorrer com base em normas de relação – alias de bom grado planejadas e formalizadas levando em conta o respeito devido.

Atenção mais do que especial as posturas éticas nas atividades que envolvem relação direta – cotidianas ou não. O discordar não deve ser uma porta sempre aberta para que isso seja feito de forma que não observe os bons preceitos da relação – as exigências que superem o conteúdo das normas deve ser apresentando de forma respeitosa levando em conta que independente do porte das empresas envolvidas – ocorre ali uma relação entre empresas – e o mesmo ocorrendo entre os profissionais já que nos parece que seja direito compreender o que devo executar.

Parte também da ética diz respeito a pontualidade e disponibilidade com os profissionais vendo no outro e propriciando a este o mesmo tratamento que acreditamos merecer independente da relação empresarial na qual estamos envolvidos. E fácil entender que se nem entre nos há respeito como os demais irão nos tratar. Isso diz respeito também a por exemplo certos processo de integração em determinadas empresas onde muitas vezes o profissional de sst e obrigado assistir treinamentos que por sua formação em nada agregam conhecimento ou valor, quando no mesmo momento poderiam estar reunidos com o SESMT local vivenciando uma integração mais importante para a finalidade.

Resumindo há necessidade e em algumas empresas – urgência quanto a avaliação e revisão das relações entre colegas prevencionistas. Não podemos deixar que diferenças banais e lados distintos de mesas mudem as formas de relação entre profissionais que tem a mesma formação e objetivos. Isso e ruim para nossa área, para o desenvolvimento da prevenção e para o todo da Segurança e Saúde no Trabalho.

Cosmo Palasio de Moraes Jr

Divulgação e reprodução autorizadas desde que mencionado o autor e a fonte.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Artigo: A Cultura do Não - Cosmo Palasio

Tal como os demais grandes problemas nacionais - onde com certeza a questão prevencionista está inserida - a questão da segurança e saúde no trabalho encontra-se neste momento em uma das encruzilhadas do processo histórico. Há necessidade de buscarmos novas formas de atuação, as quais apenas serão  validas se houver uma ampla e consciente discussão sobre o tema com a participação ativa de todos aqueles que de fato conhecem o assunto. Mais do que isso, para que este momento conduza a um futuro melhor é preciso rever muito mais do que técnicas e normas  as questões culturas relativas ao assunto.

Por toda parte vemos o ressurgimento de velhos debates revestidos com a roupa do novo. Lamentavelmente notamos que a grande maioria deles passam distantes da verdadeira realidade e prestam-se na maioria das vezes apenas reformulação do modelo vigente com tendências a flexibilização das responsabilidades. Há como sempre houve o desconhecimento do obvio: Apenas leis não bastam !  Culturalmente vivemos no país onde leis prestam-se apenas a poucas situações e que as relações - na sua forma sólida e respeitosa - precisam ser construídas passo a passo. Em todo o processo e ao longo dos anos a presença do SESMT foi de grande valia para este enfoque, trazendo para o debate entre as partes a luz do conhecimento técnico - que nestes casos - é essencial a consecução dos objetivos - e de certa forma faz frente aos descalabros com que se trata assunto de tamanha importância.

O primeiro passo para que esta discussão e busca tenham alguma validade passa pela coragem de questionar quais são as reais causas do problema. Obviamente para que encontremos algumas respostas válidas e que possa assim ser base para planos de correção realistas é preciso que ocorra rápida e grande evolução nos conceitos que muitos ainda adotam e difundem. Enquanto nos mantivermos presos aos paradigmas com certeza nada irá ocorrer de novo e capaz de alterar a realidade que conhecemos. Enquanto permitirmos que os temas sejam tratados mais com o enfoque político do que técnico, com certeza estaremos perpetuando o estado de coisas tão bem conhecido. Na minha forma de ver, o primeiro passo a ser dado para modificar estado de coisas e a mudança de postura dos profissionais do SESMT, que necessitam urgentemente deixar de ser o especialista apenas dentro dos locais de trabalho e assumir de vez por todas seu papel como interlocutor do assunto, como especialista e conhecedor, trazendo a tona subsídios para uma tratativa mais realística dos temas. 

Ao longo dos anos, temos sido omissos nesta forma de atuação, em certos momentos parece que não há no pais um segmento tão grande com capacidade e conhecimento para fazer chegar a comunidade em geral seus preceitos e conhecimentos que com certeza são por demais úteis a vida de cada um. Reside ai um grande erro. Talvez pela nossa omissão, outros se sintam no direito de dizerem - e na forma equivocada - qual o molde adequado para a questão prevencionista. Não se trata aqui - e todos sabem como sou contrario ao corporativismo doentio - de gerar e defender nichos de trabalho, antes, trata-se de assumir dentro do contexto social um espaço de suma importância e muito mais do que isso, uma espaço necessário a ordem das relações gerais. 

Nós somos os especialistas no assunto e como tal devemos nos fazer representar. Ao contrário disso, ocorre talvez por nem mesmo entendermos a dimensão daquilo que fazemos e podemos fazer, o verdadeiro horror e descaso que passa por detrás da questão dos acidentes, ocorram eles em qualquer lugar que seja.

A partir da ocupação do espaço dentro da sociedade, cabe-nos também a busca - como especialistas e cidadãos - no debate político da regulamentação das coisas de nossa área.  Ao longo dos anos, insistimos - talvez ate pelo volume de necessidades e urgência das ações - em pautarmos nossos trabalhos limitados aos nossos segmentos. Conheço inúmeros bons profissionais que trazem em si a qualidade de experiências e conhecimentos que seriam por demais úteis se  fossem formalizados como referencias comuns. No entanto, pecam quando se ausentam da macro discussão, deixando este fórum aberto para outros que nem sempre trazem em si conhecimentos e vivência necessárias ao desenvolvimento de referencias ao menos aplicáveis a realidade brasileira. Portanto, ou começamos a adotar posturas de cidadania com relação ao que fazemos, ou de vez por todas, abandonamos a prática das reclamações.

Como se pode ver, apenas neste primeiro momento encontramos dois problemas relativos a cultura que o próprio SESMT tem em relação ao assunto. Por mais distantes que pareçam, são problemas como estes que inibem o crescimento da causa prevencionista. Já passou longe a hora é a vez de assumirmos nosso lugar dentro da sociedade como um todo.

COLECIONANDO EQUÍVOCOS

Para muitos de nossos colegas de área, atuar na Área de Prevenção de Acidentes é pura e simplesmente aplicar as técnicas e normas ao local de trabalho. Tais pessoas não conseguem ainda visualizar a riqueza de uma área técnica e suas possibilidades. Muitas delas orgulham-se de viver em eterno conflito com as demais áreas e talvez por isso sintam-se verdadeiros xerifes para a causa, como se tivessem a capacidade ou mesmo a atribuição de serem os donos do tema. Trabalham no varejo e passam a vida toda resmungando e atribuindo a terceiros o insucesso de nossas atividades.

 É preciso que entendam qual é na verdade o real papel de uma especialista. Talvez a partir deste momento de compreensão, passem nos primeiros dias por uma verdadeira crise de identidade, sentindo-se talvez ainda menos importantes. No entanto, se estiverem atentos, com o passar do tempo poderão vislumbrar que também para nós há um lugar ao sol. Deve ficar claro, que mesmo a NR 4  - na sua definição de quadro para o SESMT, demonstra que o número definido de profissionais - em muitos casos na proporção de 1 Técnico para 500 empregados, inviabiliza este tipo de atuação. Portanto, devemos buscar formas de atuação mais sistematizadas ou em português mais claro, mais inteligente.

O rol de equívocos é muito grande. Há também aqueles que sentem-se os arautos da lei, parecendo mesmo esquecer que as demais pessoas são alfabetizadas e que sua utilidade está assegurada não por saber ler ou informar, mas por saber transformar itens de lei em práticas de gerenciamento, ao invés de mero arauto, cabe melhor ser interprete, profissional capaz de transferir as letras da lei em situações e fatos aplicáveis, traduzir necessidades em propostas, ser para o Executivo um verdadeiro Assessor e não um lastimável fiscal. Ter condições de sentar numa mesa de decisões e contribuir ali como o homem da prevenção, de igual para igual com os demais especialistas. 

Ao longo dos anos, a imagem do Técnico de Segurança tornou-se tão distante do que ele deve e pode ser, que de fato sua utilidade - nestes moldes - passa a ser questionável. Pagar alguém para tomar conta se os outros usam ou não EPI - já paga-se aos Supervisores. Pagar alguém para ficar distribuindo copias de leis e normas - muitas empresas já assinam bons informativos. O diferencial certamente está em alguém capaz de resolver problemas ou propor meios e estratégias para tanto. Se você está for a deste foco, tenha certeza que contribui muito para que a prevenção de acidentes não saia do lugar onde se encontra. Se quiser entender melhor o assunto, por algum instante que seja, coloque-se no lugar de quem paga seu salário.

A CULTURA DO NÃO

Eis aqui um ponto que muito me preocupa. Depois de todos estes anos atuando na área, passei a chamar de Cultura do Não a postura que a grande maioria de empresas e seus chefes tem com relação a questão de segurança e saúde. Parece algo impalpável, mas na verdade tenho certeza que a grande maioria de nós já presenciou ou ao menos ouviu falar sobre fatos desta natureza.  A cultura do não manifesta-se e é comprovavel até mesmo nas ações oficiais. Basta prestar atenção.

Recentemente, lendo um belíssimo livro que um Sindicato aqui da Grande São Paulo organizou e vem publicando nos últimos anos, chamou-me a atenção quando em dado capitulo apresentam uma serie de relatos sobre acidentes ocorridos. Como Técnico, encontrei nestes acidentes uma série de informações interessantes, no entanto o que mais chamou a atenção e que em quase todos os casos descritos - todos tendo incapacidade permanentes ou mesmo morte como conseqüência - a correção da causa se deu logo em seguida ao ocorrido, seja através da instalação de um pequeno pedaço de chapa, de uma grade, enfim de coisas absurdamente simples e com custo irrisório. Isso quer dizer, que se houvesse de fato algum tipo de preocupação com as normas ou mesmo com a vida, tais acidentes e suas conseqüências seriam plenamente evitáveis, sem que para que isso houvesse necessidade de qualquer recurso maior. Porque isso não ocorre : Pela cultura do não, pela forma absurda de não querer fazer pura e simplesmente.

Observem com mais detalhes e verão isso em muitos locais de trabalho. Notarão que ao longo dos anos, sabe-se lá porque, muitas pessoas desenvolveram um alto grau de rejeição com a questão da prevenção. Superficialmente talvez isso diga respeito a sensação de poder - ou seja - eu mando ! e Se não fui eu quem mandou fazer, ninguém vai fazer porque não quero. Ou numa forma variável - Na minha área mando eu ! Pode parecer estranho, mas isso existe e a quantidade não é pequena.

Para dar vida a este tipo de cultura, simultaneamente vemos dia após dia a impunidade. Vivemos ainda encobertos pela mística do termo acidente - do qual muitos se servem para encobrir verdadeiros homicídios. Precisamos educar nossas autoridades - e  também sobre isso que falamos lá no inicio deste texto - fazer ver que acidente é algo imprevisível, que surge de uma conjuntura de fatos e ações que não foi possível precisar e ao mesmo tempo, que deixar uma engrenagem sem proteção nada tem haver com acidente, tudo tem haver com omissão seja em relação as leis - claras para este tema - seja em relação ao respeito a vida - assunto ainda meio obscuro em nossos dias.

Em certo ponto do processo das relações sociais, a questão da segurança e saúde se confunde com todas as demais questões que dizem respeito a preservação da vida humana. Enquanto existir possibilidade de justificar o injustificável - mesmo que diante da mais evidente prática da cultura do não - caminharemos assim, vendo que o trabalho matar, não naquilo que tem de sofisticado e por isso merece mais estudos e interpretações - mas nos rudimentos do conhecido, nos rudimentos do normalizado que jamais se cumpre pela certeza de que ocorra o que ocorrer  - a impunidade falará mais alto.

E diante desta cultura que devemos fazer frente. São estes os fatos que nos levam a crer que apenas a atuação rotineira da prevenção jamais será capaz de mudar a situação atual. Precisamos interpretar todo o contexto histórico do assunto e se desejamos mudanças verdadeiras, atuar em todas as frentes - seja como profissional seja como cidadão - ou na condição ideal de profissional-cidadão.

Acima de tudo, precisamos romper com nossa participação dentro da cultura do não, deixando de dizer não a prevenção como todo e enfiando a cara no buraco como avestruz que acha fazer o bastante mas limita-se apenas a fazer o mínimo, olhando e tendo consciência de que quando um trabalhador morre, morre também ali um cidadão.

Enfim, ou despertamos para o todo do assunto, ou continuamos apenas sendo os arautos das leis que outros fazem e os fiscais daqueles que poucos cumprem.

Cosmo Palasio de Moraes Jr.

Divulgação e reprodução autorizadas desde mencionado o autor e a fonte.